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Isabella - A Caça do Monstro (fanfic) Parte - 2

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Capítulo 2

               Sensação Fúnebre

Uma luxuosa carruagem aparelhada por quatro cavalos robustos estacionara na porta da casa de Sir Anthony naquela manhã de intenso nevoeiro, a portinhola dourada trazia as insígnias do brasão dos Ricci. Mal dava pra vê o monte Mont Blanc com seu pico nevado. Do interior da carruagem, saltou um homem bem afeiçoado que usava uma casaca vermelha e botas pretas lustrosas com esporas de prata, e seguiu acompanhado  por um dos criados até a casa. Frau Josephine recebeu-o com grande esmero ao vê-lo.

— Monsieur Ricci! — Exclamara ela com grande entusiasmo.
— Mademoiselle Josephine, é um prazer revê-la novamente. — Ele disse fazendo uma mesura ao tirar o chapéu da cabeça, em seguida, arrancou as luvas das mãos. A governante tomou-lhe o chapéu e a bengala, guardando-os em um cabide do hall de entrada da casa. Em seguida, conduziu Lorde Ricci ao salão de visitas da casa, enquanto ordenava aos criados para chamar Sir Anthony em seus aposentos. Lorde Ricci desejava vê-lo para obter sua permissão para passear com sua noiva, Isabella. Sir Anthony desceu as escadas incrivelmente esplêndido ao ver o futuro genro em sua nova casa, e Lorde Ricci não economizou nos elogios e agrados ao pai de sua adorável amada.

— Meu estimado e Caro, Ricci, que honra recebê-lo em minha nova residência! Creio que sua noiva vai adorar sua visita aqui. — Disse-lhe o capitão.
— Sir, é um imenso prazer revê-lo outra vez. Como tem passado? — Perguntou-lhe Lorde Ricci.
— Excelente. — Respondeu o capitão.
— Muito me agrada, sir, sua resposta. — falou o jovem Lorde.
— Frau Josephine, vá chamar imediatamente minhas filhas, especialmente, Isabella. Diga à ela que o seu noivo está aqui à sua espera. — Ordenou Sir Anthony. A criada nada disse, apenas consentiu meneando a cabeça e foi até o quarto das meninas Von Neumann. Cathy acabara de se arrumar em seu quarto, e a criada pôs-lhe um lindo laço na cabeça. Frau Josephine ficou aliviada ao vê Cathy pronta. Ela rumou para o quarto de Isabel. Mas Isabel não estava lá. Frau arremessou os lençóis no chão e apenas viu um amontoado de travesseiros em cima da cama, em seguida, abriu o baú de carvalho onde Isabel guardava a carabina, e a arma também não se encontrava lá. Frau Josephine ficou trêmula com o sumiço repentino da jovem, e ela própria sabia para onde Isabel tinha ido: A floresta Ingolstadt. O que faria? Sir Anthony e o noivo a esperavam na sala. Frau Josephine elaborou um plano para ir atrás da jovem Isabel, mas pra isso teria que mentir ao seu patrão, se caso um dia o capitão viesse a descobrir tal mentira, Frau sabia que seria imediatamente demitida do emprego. Mas por outro lado, sofreria ao vê a menina Isabel sendo severamente castigada pelo próprio pai. Ela não teve outra alternativa, senão mentir para Sir Anthony e Lorde Ricci.

Ouvia-se da sala — onde os cavalheiros estavam — o farfalhar da bainha do vestido de Catherine arrastando no chão de taco. Ela descia as escadas juntamente com Frau Josephine. Ao vê-las, Sir Anthony contraiu as sobrancelhas imaginando onde estaria Isabella, Lorde Ricci imediatamente levantou-se do assento e fez uma mesura um tanto exagerada para Cathy.

— Querida. — Disse Sir Anthony dando as mãos para a jovem cathy.
— Onde está Isabel ? — Perguntou ele.
— Milorde, esqueci de lhe dizer que menina Isabel saiu de manhã cedo para ir se confessar na igreja da cidade, e também foi assistir à missa. Eu peço desculpas por não ter ido acompanhá-la. — Falou Frau Josephine sendo bastante convincente.
— Não se preocupe, Frau Josephine. Me alegra o espírito ao saber que minha filha anda se devotando aos interesses religiosos. Mande um dos criados escoltá-la até aqui. Fale que o noivo dela à aguarda ansiosamente aqui em casa. — Instruiu o capitão nem percebendo a dissimulação que saíra daquela boca santa e honesta que nunca mentira na vida pra ele. Frau Josephine sofria em seu íntimo. Lorde Ricci e Cathy conversavam animadamente, e nem perceberam a ausência de Isabella. Ela foi rápido ter com um dos criados de confiança para ir atrás da jovem, não na igreja como eles pensavam, mas nos arredores de Ingolstadt. O criado sabido montou em um dos cavalos velozes do estábulo, e galopou indo em direção à floresta sombria.

A floresta de Ingolstadt era sombria, as árvores pareciam movimentar-se em um aspecto tenebroso e a escuridão do interior fazia o coração de qualquer alma vivente palpitar de horror. Era o cenário em que o próprio Lúcifer se sentiria bem a vontade, tendo diante de si, suas fiéis legiões infernais. Essa floresta dava a impressão de que tinha alguém a observar quem quer fosse corajoso o suficiente para penetrar em seu interior. Ingolstadt lembra perfeitamente um daqueles sonhos, ou melhor, pesadelos em que um indivíduo sonha que está fugindo de algo arrepiante que deseja tirar-lhe a vida, e quando desperta, sente aquela sensação ruim, um medo até de colocar o pé no chão, seguido de um desespero de ligar a luz e clarear tudo a sua volta, pois a essência do sonho permanece dentro dele numa espécie de energia medonha, e apavorante que aflige até os seus mais remotos pensamentos, e, é aí, que ele próprio esbarra em sua razão, recobrando os sentidos, e percebe que tudo não passara de um pesadelo. Mais ainda fica com aquela sensação de que, se não tivesse despertado a tempo do sonho, teria morrido em meio aos pesadelos que lhe afligiam o sono. Os demônios espreitam o sono dessas pessoas, colocando-lhes medo, e o cérebro executa essas alucinações de maneira formidável, que só cabe à ciência explicar tal fato.

Mas em meio de todo esse cenário sombrio, percorria a floresta uma jovem de cabelão solto que descia até a cintura e usava um vestido escuro e carregava nas mãos enluvadas, uma carabina enjetada de balas e pronta pra atirar em qualquer movimento suspeito. Ela caminhava lentamente pisando em folhas secas no chão, enquanto olhava com bastante precisão a paisagem fantasmagórica à sua frente. As folhas das árvores ficavam imersa na escuridão, e dava o aspecto de figuras diabólicas se formando em proporções gigantescas, a jovem parou pra olhar aquilo, e viu que era apenas as árvores e seus galhos que formavam tal figuras. Para uma jovem feito ela, não parecia ter medo algum daquele cenário sinistro; de repente, ouviu um som ressoante que vinha das profundezas daquela imensa floresta, meteu o pé a correr para o interior com a arma empunhada nas mãos em mira, escutou algo se movimentando em uma árvore, ela destravou o fuzil e apertou o gatilho, e deu um tiro naquela direção. A bala acertara em cheio a copa da árvore, assustando uma revoada de corvo que saiu atônitos ao trovejos do tiro. A jovem se jogou ao chão úmido de folhas, enquanto a revoada de corvos sumia em direção ao céu. Em seguida, levantou-se ajeitando o vestido e empunhou novamente a carabina. Começou a penetrar ainda mais a floresta, e de vez em quando parava pra olhar as gigantes pegadas no solo. Eram pés humanos, só que enormes.

Ela fez um gracejo nos lábios, convicta de que estava próxima de sua presa, quer dizer, o monstro Frankenstein que devia habitar aquela floresta sombria. Continuou sua excursão na floresta, mas de súbito, teve a sensação de que alguém a observava, mas não vira ninguém ali, apenas ela se encontrava sozinha naquele lugar medonho. A jovem recobrou a atenção e culpou-se pelo fato de que talvez o medo começasse a invadir sua razão, e isso se devia pelo fato de ter ido tão longe no interior da floresta, daí, ela observou o quanto tinha sido desobediente com aqueles que tanto ela amava, e que estes, a amavam com tal intensidade que exigiam o mínimo de conduta exemplar de sua parte. A jovem resolveu voltar, mas continuava obstinada pra caçar o monstro, e prosseguiu obedecendo suas obstinações. Para sua surpresa, ao longe, ela avistou uma cabana miserável, do qual, saía uma luz fraca de fogo feito recente, e ao lado do casebre tinha uma pilha de lenha cortada. Ela não tinha mais dúvidas. Aquela velha cabana de caça, era o local onde o monstro vivia, ali era o coração da floresta. A jovem olhou as imensas árvores que circundavam a cabana, e estranhamente sentia-se exultante por ter conseguido achar o esconderijo do monstro, e ao mesmo tempo, sentia o medo invadir-lhe a alma. Como seria a fisionomia desse monstro? Ele é um perigoso assassino? Como vive? Essas indagações ricocheteava com tal intensidade em sua mente, que fez com que relaxasse a postura do corpo, pondo uma das mãos na cabeça, e a outra segurava firme a carabina. De imediato, pôs a rodear a cabana com a arma empunhada na mira e os olhos atentos, por trás de suas costas, no alto da copa de uma árvore, uma sombra pulava de uma árvore para outra com a destreza de um gato.

— Oi! — bradou ela, ouvindo o eco estrondoso de sua voz ressonando pela floresta. Nenhuma resposta. Tudo silêncio. Apenas a bruma escura do céu impedia os fracos raios solares de penetrar na floresta.

Ela observou que a porta da cabana estava fechada, olhou pelas frestas da janela, e viu alguns livros dentro de uma velha cesta no interior da cabana. Convenceu-se que talvez o lugar lúgubre seria a cabana de um caçador, e não a casa do monstro. No instante em que ela fez menção de virar pra olhar para atrás, sentiu que alguém estava ali espreitando sua figura, e com a rapidez de uma águia, manejou a arma na direção daquela sombra escura perto das árvores, observou que era um homem, mas não conseguia distinguir suas formas pois esta se misturava em meio às trevas da floresta. Apenas os olhos cintilantes da criatura surgia em meio a escuridão.

— Apareça, monstro! — Vociferou ela com a valentia de uma deusa em combate  homérico. Nenhuma resposta ela obteve, senão o farfalhar de algumas galhas das árvores. Corajosa, Isabella aproximou-se da escuridão, e teve a mais esplêndida das certezas diante do que vira em sua frente. Forçou o olhar pra distinguir as formas gigantescas de um homem de quase três metros, envolto em uma capa surrada e os olhos malignos à mostra, ela recuou, assustada e fascinada pelo que acabara de ver. Enquanto que, ele surgia aos poucos, saindo da escuridão, e suas formas projetavam-se em meio à escassa luz do fogo, seus olhos amarelados e malignos, fitavam admirados o rosto e a candura selvática daquela jovem, ali sozinha e vulnerável no meio daquela floresta sinistra.

Os dois olharam-se com certa admiração...

Ele, esplêndido, colossal, e uma gracilidade de Príncipe infernal lhe coroava em altura, força e tamanho. Isabella, pequena criatura insignificante, com os longos cabelos batendo-lhe até a cintura, era uma borboleta frágil do qual ele poderia facilmente esmagar com as mãos se quisesse. Ele aproximou-se dela num gesto de curiosidade e contemplação, Isabella recuou a passos largos, e empunhou a carabina puxando o gatilho, cuja bala percorrera uma trajetória em direção ao monstro que num impulso veloz, esquivou-se rapidamente do tiro. Isabella corria pela floresta fugindo e dando tiros para acertá-lo, e nenhuma bala o atingiu, ele corria com os passos de um animal felino atrás dela, ora saltitando em uma árvore, ora no chão. Aquilo não era humano, ele tinha a destreza de um animal. De repente, ela não o viu mais. Parou, resfolegante, sentindo as fortes batidas do coração, olhou em volta e viu apenas a floresta obscura e nenhum sinal do monstro.

Com um pouso de Falcão, o monstro saltou diante da visão de Isabella, com o olhar semicerrado, o esgar  da boca, e as madeixas compridas negras de um lustroso cintilante lhe davam uma aparência assustadora e intimidadora. Isabella fez menção de puxar o gatilho da arma, e o monstro mil vezes mais ágil, deu-lhe um tapa na mão e a arma caiu no chão, Isabella desequilibrou-se pela força sobre humana da criatura e caiu também. O monstro pegou a arma e partiu ao meio fazendo um estalo e jogou-o ao lado dela. Isabella olhou o demônio diante de si, e percebeu que ele tinha os pés lívidos e descalços, e comprimiu os olhos aterrorizada, ao vê-lo de perto. O monstro tinha a pele amarelada, belos traços nas feições pálidas e compleição murcha, que lembrava um morto-vivo, e algumas artérias do braço ficavam à mostra, numa espécie de cirurgia mal sucedida, em compensação ele tinha os pulsos e membros fortes. A cabeleira lisa e negra esvoaçava por causa do vento gélido, e dava um contraste enigmático naquela criatura que parecia habitar as profundezas do *orco infernal onde Deus lançou os anjos caídos em *Paraíso Perdido. Ele aproximara-se de Isabella, e encarou-a com um olhar sinistro. Ela mantinha os olhos comprimidos, estava incrivelmente assustada com a presença imperiosa daquela criatura tão poderosa e horrenda, e sentiu uma sensação fúnebre invadindo-lhe a alma. Eis o monstro a espreitá-la tão de perto. Ela arregalou os olhos quando ele pôs a falar-lhe: — Você tentou arrancar-me a vida! Saiba que eu a defenderei a qualquer custo! — Vociferou o monstro envolvendo-se com a capa o corpo horrífico.

— Você fala! — Disse Isabella chocada ao ouvir a dicção grave do monstro.
— Vá embora daqui! Vocês, que se dizem humanos, só pensam em fazer o mal ao semelhante. Se ousar me atacar novamente com essa arma, saiba que não a pouparei da minha fúria, eu a esganarei com as minhas próprias mãos! — Disse ele em brados. Isabella ficou petrificada ao vê que ele era dotado de inteligência. Nesse ínterim, uma voz chamavam-lhe o nome a certa distância: "Isabella!" e foi então que ela despertou de seu estado imóvel. Reconhecera de imediato a voz: era um criado da casa. O monstro pôs a fugir pela penumbra que atravessava a floresta. Isabella chamou-lhe: — Ei, Espere, preciso me desculpar! Tarde demais, pois o monstro já tinha se evadido para o interior da floresta. A jovem pegou a carabina quebrada, e foi ao encontro do criado. Voltou para a casa com os pensamentos em completa desordem, não sem antes passar pelo crivo das interrogações de Frau Josephine.

— Menina! O que tem nessa cabeça?! Como foge do seu quarto sem ao menos me dizer para onde foi?! — Interrogara a velha governanta aborrecida.
— Frau Josephine, desculpe-me, eu... — respondeu Isabella atordoada.
— Ora! Não me diga para onde foi, pois bem sei a resposta. Depois vamos conversar, eu e a senhorita. Por enquanto, ajeite-se, o seu noivo a espera na sala para o serão. — disse Frau Josephine tomando-lhe a carabina danificada das mãos, e meneando a cabeça ao acertar o lugar para onde a menina Von Neumann tinha ido.

O serão daquela manhã fria não foi um acontecimento especial que enchesse o coração de Isabella de alegria. Ao contrário, ela ainda pensava na figura sinistra do monstro, em sua voz , no seu poder e principalmente no modo como ele falou sobre os humanos. Deu a entender que ele conhecia perfeitamente o coração ruim de um homem mal. Sua feiura era notável, mas isso passava despercebido quando ele mostrou sua agilidade e força dos membros. Para ela, o monstro Frankenstein era um misto de fascínio e terror.

Lorde Ricci aproximou-se da jovem, o olhar apaixonado era um fato que ele fazia questão de exibir quando estava ao  lado dela, e a convidou para passearem pelo alpendre da propriedade. Juntos, admiravam o jardim da casa e o lago de águas verdes límpidas. Lorde Ricci começou a falar.
— A senhorita está linda, como sempre. — comentou ele.

— Obrigado, Ricci. Não se digne tanto em me encher de elogios, sabes perfeitamente os meus reais sentimentos por ti. — Sibilou ela olhando para a floresta Ingolstadt.
— Eu sei que não me amas, mas eu a amo, isso já é o suficiente para suprir o nosso casamento. — Retrucou ele tomando-lhe as mãos delicadas. — Lorde Ricci, como pode se rebaixar a tanto! Casando-se com uma mulher que não lhe ama, o senhor merece uma mulher que sinta o mesmo pelo o senhor! — Disse ela sendo a mais sincera de todas as mulheres do mundo.
— Você é a única mulher que importa pra mim, miss Isabella. — Falou ele beijando-lhe as mãos, ela puxou rapidamente as mãos, limpando com o lenço.
— Eu não o amo, e jamais desejo me casar com alguém feito o senhor que frequenta os pardieiros de Paris atrás de rameiras! — Ela disse enraivecida.
— Miss Isabella, não me provoque, serás minha esposa, quer queira ou não! Eu tenho o consentimento do seu pai, és propriedade dele e serás minha também! — Retrucou ele feroz.
— Prefiro a morte do que isso! — exclamou ela retirando-se do alpendre. Lorde Ricci veio mais atrás.
— Filha, porque veio depressa do passeio? — Quis saber Sir Anthony.
— Meu pai, sinto-me indisposta. — Retrucou ela subindo as escadas segurando a saia.
Enquanto isso, Cathy tocava o piano de cauda, e Lorde Ricci respeitosamente sentou-se ao lado da jovem, apreciando a música que ela tocava.
Sir Anthony chamou Frau Josephine e fez algumas perguntas acerca do estado de ânimo de Isabella que pareceu aos seus olhos, bastante atordoada.
— Frau Josephine, o que houve com Isabella? — Perguntou ele.
— Milorde, ela apenas sente uma leve dor de cabeça, talvez seja a conseqüência de ter ido sozinha à igreja hoje. — Respondeu a governanta com seu jeito habitual de subserviência.
— Entendo, Frau Josephine. — Falou Sir Anthony pondo de lado, o livro que estava lendo minutos atrás.
— Sir Anthony, o jovem Ricci passará a noite aqui conosco? — Perguntou-lhe Frau Josephine.
— Sim, prepare um aposento pra ele com tudo o que há de melhor em minha casa. — Instruiu o capitão.
— Sim, senhor, irei agora mesmo. — respondeu a governanta.

O jantar na casa de sir Anthony Von Neumann foi servido pontualmente às oito. Como um legítimo Inglês, ele gostava que tudo fosse feito com a mais perfeita exatidão. Todos jantaram, menos a menina Isabella que permanecia no quarto, e após o término do jantar, ela recebeu a visita do pai, conversaram um pouco, e ele contara á ela que Lorde Ricci passaria a noite na propriedade, indo embora na manhã seguinte para Paris. Isabella estranhou o gesto do noivo, mas deu graças à Deus quando o seu pai lhe disse que ele iria embora pela manhã. Ela e Sir Anthony despediram-se com um beijo na testa e todos recolheram-se em seus aposentos na casa.

A mansão Von Neumann repousava em meio à escuridão da noite fria de Genebra, eis um grande engano até aí. Os quartos situados no andar de cima da propriedade, estavam todos com as portas fechadas, e apenas o corredor era iluminado pela luz bruxuleante das velas nos candelabros suspensos no teto. Até aí nada de interessante.

Um dos quartos, se encontrava com a porta um pouco entreaberta que dava a impressão de uma fresta. A luz das velas nesse quarto era facilmente percebida, pela presença de duas pessoas sob a cama, murmúrios abafados de gozo durante o coito carnal daqueles dois amantes poderiam ser logo percebidos se caso alguém ousasse empurrar aquela porta entreaberta e dar um flagra neles. Mas o êxtase do prazer era um momento de deleite entre aqueles dois corpos sedentos de luxúria, tampouco eles se importariam se fossem pegos no ato carnal. A pequena e jovem Cathy em seus completos dezessete anos, se contorcia embaixo do corpo robusto de Lorde Ricci, que sôfrego de prazer, beijava-lhe a tez, dava mordiscões afoitos em seus seios de Vênus, e a conduzia em um mundo de luxúria e prazer. Lorde Ricci era o tipo de homem que poderia ser estereotipado de, hedonista e depravado da pior estirpe. Não foi à toa que vimos mais atrás, a jovem Isabel lhe jogando nas fuças sua vida nos pardieiros de Paris com as rameiras.

Ironicamente, nem sempre esses segredos ficam em segredos, e acabam por ser logo descobertos e lançados ao ventilador. Frau Josephine na calada da noite, percorria o corredor segurando um candelabro com duas velas acesas, ela escolhera aquela hora para ter uma conversa severa com a menina Isabella, Frau bateu duas vezes de leve na porta, e ouviu a menina abrindo o trinco, mas sua atenção fôra desviada para o quarto de miss Cathy, cuja luz fraca saia do quarto e clareava precariamente o chão do corredor.

— Frau Josephine, acho que poderíamos ter essa conversa em outro momento... — falara Isabel, olhando a governanta seguir para o quarto de Cathy. Ela foi atrás. De repente, tudo o que se passava às escondidas naquele quarto, veio a tona com o flagra que Frau Josephine e Isabella deram nos dois amantes. A jovem indomável em nada se surpreendeu ao vê aquilo, a governanta ficou pasmada diante daquela cena mundana, segundo suas convicções religiosas.
— O que significa isso?! — Inquiriu a governanta perplexa aos dois amantes. Cathy estava despida no colo de Lorde Ricci, ela baixou o olhar, envergonhada, ele olhou desesperadamente para Isabella que lançou um olhar de nojo e desprezo para ele. Nesse instante, Sir Anthony surge indagando Frau Josephine pelo barulho que ouvira do quarto. Ao olhar a compleição de culpa dos amantes, Sir Anthony quase desmaiou! Não era possível! Sua adorada caçula, tão amável e obediente, estava ali entregue ao bel prazer daquele homem que era o noivo de sua outra filha, como ele pôde ter tamanho atrevimento?! O capitão pensou exatamente essas indagações em sua cabeça.
— Meu pai, é pra este homem que o senhor quer me entregar?! Veja só! Ele acaba de desonrar sua filha caçula debaixo do seu teto. O que cabe agora fazer neste exato momento? — Atiçava Isabella tomada de fúria.
— Isabella, você está livre desse compromisso, minha filha. — Disse-lhe Sir Anthony com a feição impassível e a voz fria.
— Obrigada, meu pai! — retrucou Isabella com a voz alegre por ter se livrado de um casamento forçado.
— Isabella? — Chamou o capitão ainda fitando os dois amantes na cama.
— Sim, papai. — respondeu ela.
— Está livre do castigo. Pode usar sua carabina pra caçar o que quiser. Aja com cautela. — Falou Sir Anthony com sua polidez fria.
— Obrigado meu adorável pai! — sibilou ela dando um beijo no rosto do capitão que continuava impassível. Em seguida, Isabel retirou-se para o seu quarto, contente por ter se livrado do noivo, mas ficou um pouco triste pela irmã caçula. Isabella acreditava que Lorde Ricci a seduzira para tirar proveito, mas ele acabou se dando mal por causa do seu hedonismo sequioso.
— Vistam-se os dois, e venham até o meu gabinete para acertamos o casório. Vocês terão que casar amanhã mesmo, um homem da minha posição jamais vai tolerar uma filha desonrada dentro de casa. — dito isso, Sir Anthony encaminhou-se para o gabinete que ficava em sua biblioteca particular, não sem antes de lançar um olhar de repulsa para a filha caçula, que ele tanto adorava. Ela pôs a chorar freneticamente no colo do amante arrependido, sob as vistas duras de Frau Josephine. Tarde demais para arrependimentos. Os dois foram pegos no flagra. Lorde Ricci lamentara o erro, e percebeu que havia perdido de vez a chance de se casar com a irredutível Isabella.








PS: Este conto/fanfic foi escrito pela Martinha Luciana, e baseado em um livro do qual, ela própria aprecia muito, FRANKENSTEIN de Mary Shelley. É dedicado para os fãs do livro, em especial, ao monstro que é o personagem central da trama. Aqui nada fere os direitos autorais da obra clássica.


*Orco - o inferno ou o deus do inferno.

* Paraíso Perdido, é um livro escrito em 1667 pelo inglês John Milton, o livro traz a história do próprio 
Lúcifer que narra sua queda e de suas legiões dos céus, após conspirar contra o trono de Deus.


TRILHA SONORA:
•Ozzy Osbourne - Changes
•Shaman - Fairy Tale
•With Temptation - Angel
• R.E.M - Everybody Hurts

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